Homenageado em Frankfurt, Brasil investe R$ 18 milhões para promover autores nacionais no Exterior

Imagine 14 campos de futebol, agora retire a grama verde e coloque um público de 300 mil profissionais do mercado editorial circulando entre
7,5 mil expositores de 110 países. Esse é o tamanho da vitrine que terá o Brasil, país homenageado da Feira de Frankfurt em 2013, que vai de amanhã até o domingo.

Com enfoque estritamente comercial, o evento atrai editoras de todo o mundo para comercializar direitos de publicação de seus livros em outros países. A partir de 2011, quando foi anunciada a homenagem ao Brasil na feira, mais de 200 títulos brasileiros, entre lançamentos e reimpressões, foram traduzidos para o alemão. Estimativas do Brazilian Publishers (BP), iniciativa para promoção internacional do setor desenvolvida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), indicam que a participação no evento deve proporcionar um incremento de 3% a 7% nas exportações brasileiras de direitos autorais nos próximos 12 meses.

Para garantir que as atenções se voltem para a literatura brasileira, já que o país é o homenageado da Feira de Frankfurt , os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores estão investindo R$ 18 milhões.
Frequentadora veterana da Feira, já foram 11 edições, a editora Caroline Chang, da L&PM, percebe o resultado desses esforços: “Desde que o Brasil foi definido como homenageado, os editores começaram a buscar autores brasileiros para publicação no Exterior”, diz.
Entretanto, na sua opinião, o caminho que o país tem a percorrer ainda é longo: “A quantidade de autores publicados fora é irrisória. Além da barreira da língua, são poucas as editoras com departamentos especializados em vender seus autores para fora”.

Entre o conjunto de ações que o governo brasileiro está patrocinando na Feira, está incluído o patrocínio do envio de 70 escritores para a Alemanha. Cinco dos autores nesta comitiva são do Estado: Cíntia Moscovich, João Gilberto Noll, Michel Laub, Veronica Stigger e o paulista radicado no Rio Grande do Sul Daniel Galera.

A representação brasileira já criou polêmica antes da abertura da Feira. Na semana passada, o jornal alemão Süddeutsche Zeitung assinalou a incongruência de uma lista que continha apenas um autor negro (Paulo Lins, de Cidade de Deus) e um indígena (Daniel Munduruku, autor de 43 livros), mas pretendia representar a diversidade da literatura brasileira. Diante de acusações de racismo na curadoria, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, explicou que a prioridade foi dada a autores já traduzidos, sem critérios étnicos. “O Brasil vive um momento de transformação e, nas próximas gerações, teremos número maior de negros participando. Hoje, infelizmente, não temos”, disse.

Também indignado com a seleção, Paulo Coelho se recusou a participar da Feira. Seu motivo foi outro: apontou que a lista era quase inteiramente composta por nomes desconhecidos que não representavam o país. Declarou ser inaceitável a ausência dos escritores sucesso de público como Eduardo Spohr, Thalita Rebouças, André Vianco e Raphael Draccon. Nos últimos dias, circulou o boato de que Coelho queria tratamento especial por ser o autor brasileiro mais vendido no mundo, como ser responsável pelo discurso de abertura, que será realizado por Luiz Ruffato e Ana Maria Machado. Em nota divulgada no fim de semana, o autor negou o pedido de tratamento especial.

Fonte: Luiza Piffero/Zero Hora – RS
Foto: Boris Roessle/DPA/AFP Photo

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Associação Brasileira de Difusão do Livro, fundada em 27 de outubro de 1987 é uma entidade sem fins lucrativos, que congrega o setor chamado porta a porta, ou venda direta (fora internet).

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