Ministério da Cultura promete enquadrar feiras de livro na Lei Rouanet

Em lançamento do Circuito Nacional de Feiras de Livros, o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, destacou a decisão do Ministério da Cultura (MinC) de enquadrar as feiras de livros na Lei Rouanet. Com a medida as empresas patrocinadoras terão 100% de abatimento no Imposto de Renda. Atualmente, esse tipo de evento alcança 8 milhões de de leitores e movimenta R$ 10 milhões por ano.
“A medida dá tranquilidade aos organizadores e vai permitir que as empresas patrocinem as feiras”, explica Amorim. “Anteriormente algumas conseguiam os 100% de renúncia fiscal, mas outras apenas 40% ou 50%. As feiras que obtinham menos desconto ficavam com baixa competitividade”, explica. A estimativa do governo é de a medida implique numa renúncia fiscal de R$ 35 milhões.
O MinC também vai ajudar a incrementar as feiras por meio do projeto Caravana de Escritores, que será lançado no segundo semestre. O projeto vai bancar o cachê dos escritores e o transporte até as cidades; serão chamados autores novatos e consagrados para conversar com os leitores.
A ministra Ana de Hollanda chamou atenção para o fato de o sucesso ser alcançado muitas vezes em meio a crises. “Na crise a gente vai buscar parceiros e o diálogo. A parceria também ajuda a encontrar soluções e perceber as demandas”, ressaltou a ministra.

Sem crise
Ao ser questionada, depois da intervenção, a que crise se referia, a ministra negou que estivesse falando das recentes críticas a sua gestão. “Eu estava falando que quando se vive uma crise econômica sempre se tem um saldo muito importante, que é a necessidade de buscar parcerias”, explicou-se. E reafirmou: “Em vez de as pessoas trabalharem isoladamente com sua própria bola de cristal, elas procuram o diálogo.”
Desde o início da gestão de Ana de Hollanda, o MinC enfrenta críticas em relação à iniciativa de rever o anteprojeto de Lei dos Direitos Autorais, preparada na gestão de Juca Ferreira na pasta, no governo anterior. Houve ainda atritos com pontos de cultura, que reclamavam de falta de diálogo, de transparência e falhas no repasse de verbas.
Além disso, embora negue oficialmente, o contingenciamento de verbas promovido pelo governo a partir de fevereiro, teria limitado ações ligadas ao programa Cultura Viva. O cancelamento de dois editais de pontos de cultura, por orientação do Tribunal de Contas da União (TCU), também prejudicou a relação entre o ministério e as organizações sociais contempladas.
Ao conversar com jornalistas, Ana de Holanda defendeu que a polêmica sobre os direitos autorais está superada e que o anteprojeto está passando por uma revisão em alguns ministérios, incluindo a Casa Civil. Após esse processo, será encaminhado ao Congresso Nacional. “Não há unanimidade em relação a esse assunto. Vamos trabalhar para atender os detentores dos direitos e o público, que é quem vai receber a produção criativa”, apontou.

Fonte: Jéssica Santos de Souza, Rede Brasil Atual

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Associação Brasileira de Difusão do Livro, fundada em 27 de outubro de 1987 é uma entidade sem fins lucrativos, que congrega o setor chamado porta a porta, ou venda direta (fora internet).

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